Escleroterapia: Varizes de membros inferiores são alterações lentas e progressivas das veias, que causam sua dilatação, alongamento e tortuosidade. De acordo com a Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular, 35.5% da população brasileira têm varizes, uma doença que pode gerar complicações, como trombose, úlceras, dores e inchaço.

Nos Estados Unidos, há uma perda anual de quase 6 milhões de dias de trabalho por essa doença. É uma doença relacionada à hereditariedade, presente em 90% das pessoas que possuem ambos pai e mãe com varizes, mas podem ocorrer em até 20% das pessoas com pais sem história dessa doença. Além disso, outros fatores também estão associados à formação de varizes: idade (seu aparecimento aumenta com o envelhecimento), sexo (mulher tem 3 a 4 vezes mais varizes que o homem), atividade profissional que a pessoa permaneça muito tempo parada, obesidade, sedentarismo, anticoncepcional, gravidez.

A doença varicosa compreende a alterações desde veias superficiais mais calibrosas, como as safenas, até veias de menor diâmetro.  A escleroterapia, mais conhecida por “aplicação ou secagem de vasinhos” é o procedimento utilizado para tratar aqueles vasinhos indesejados, principalmente pelas mulheres. Essas pequenas veias, com calibre menor que 1 mm, denominam-se telangectasias. Esses vasinhos, apesar de não se transformarem em varizes calibrosas, nem causarem complicações graves, muitas vezes levam a alteração do convívio social de mulheres que deixam de frequentar praias, piscinas, de usar shorts ou saias curtas. Podem ocorrer inclusive em mulheres jovens. Essa situação, muitas vezes banalizada por pessoas que não tem consciência da importância que pode ter a autoestima na vida de uma pessoa, notadamente a mulher, deve ser levada muito a sério e tratada com sua devida importância.

A escleroterapia, no início de sua utilização, provocava muitos efeitos colaterais e caiu em desuso no século XIX. No século XX, com a chegada de novas técnicas e novos esclerosantes no mercado, esse tratamento foi cada vez mais sendo utilizado. Na atualidade, apesar de ter outras possibilidades de tratamento, como o laser transdérmico, ainda é a técnica mais utilizada para tratamento destes vasinhos no Brasil. Existem vários esclerosantes no mercado, ou seja, várias substâncias utilizadas para “secar” os vasinhos. Em nosso país, os mais utilizados são a Glicose e o Polidocanol. A primeira tem a vantagem de não ter risco de reação alérgica, por ser Glicose, além menor risco de manchas hipercrômicas, segundo alguns estudos. Além disso, existe a crioescleroterapia, que é o tratamento onde se utiliza glicose 75% a         -40ºC, o que potencializa o efeito deste esclerosante.

O tratamento é realizado por sessões, não sendo necessário jejum e nem repouso após o procedimento. O número de sessões necessárias para sumir os vasinhos vai depender de diversos fatores, não sendo possível prever essa quantidade. Apesar de depender do limiar de dor de cada pessoa, a aplicação do esclerosante é perfeitamente bem tolerada pela sua grande maioria. Sempre é bom lembrar que vasinho que some não volta, mas novos provavelmente vão aparecer com o passar do tempo. Além disso, quando vão surgir esses novos vasinhos é imprevisível, pois vai depender da sua tendência familiar e da sua qualidade de vida.

A escleroterapia pode ser indicada como único tratamento. Porém, se existirem varizes, essas devem ser tratadas antes. Essa necessidade ocorre porque varizes que caminham para tufos de vasinhos são responsáveis muitas vezes pela sua formação e até pela sua perpetuação. Inclusive algumas destas varizes nutridoras não são vistas a olho nu, só através da tecnologia de realidade aumentada. Assim, se não tratadas, o resultado da escleroterapia talvez não seja satisfatório, o que poderá levar a um abandono do tratamento. É comum os pacientes ligarem para a Clínica Vascular querendo marcar já a secagem de vasinhos, como se este procedimento fosse possível sem passar por uma consulta antes. Primeiro precisa avaliar, através de uma entrevista inicial e um exame físico minucioso, o grau de insuficiência venosa crônica. Após esta avaliação, o ecodoppler colorido é necessário para confirmar o diagnóstico clínico e planejar qual o melhor tratamento para cada caso.

É importante salientar que a escleroterapia, assim como qualquer procedimento, pode levar a complicações, que variam desde a insatisfação estética até a ameaça de complicações mais sérias, como trombose, embolia pulmonar, necrose, infecções e reações alérgicas graves. Portanto, antes de se submeter a este procedimento, é importante passar por uma avaliação médica especializada, pois apenas ele pode indicar o procedimento adequado. Ao procurar profissionais não médicos, o paciente passa a correr riscos maiores, pois não estão habilitados a tratar desta doença, muito menos das complicações que porventura possam aparecer.